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Como restaurar pisos de granito


Considerado um revestimento de altíssima durabilidade

Uma breve história: o Brasil é o país que possui os granitos mais apreciados do mundo. Em nosso território, encontramos também a maior diversidade de cores, durezas e texturas. Ao contrário de tantos materiais artificiais disponíveis hoje em dia, um dos grandes diferenciais do granito é ser uma pedra natural (extraída diretamente da natureza, através de maciços rochosos ou matacões).

Por sua beleza, nobreza, durabilidade, resistência às intempéries e facilidade na manutenção, é um dos materiais mais utilizados e valorizados para pisos e fachadas, em ambientes residenciais ou comerciais, atendendo, assim, os desejos mais variados dos arquitetos, engenheiros e consumidores em geral. Pode ser utilizado tanto em uma pequena bancada de cozinha, quanto em uma área de grande tráfego, como um saguão de um aeroporto, uma estação de metrô ou rodoviária.

Apesar de ser considerado um revestimento de altíssima durabilidade, os granitos, com o passar dos anos e submetidos às intempéries e ao tráfego intenso de pedestres e/ou veículos, vão pouco a pouco perdendo a sua bela aparência original.

Porém, mesmo após muitos anos de uso, embora desgastados, esses materiais têm a possibilidade de retornarem às suas características originais de brilho e aspecto através de novos processos de restauração, que utilizam abrasivos diamantados, novas técnicas de aperfeiçoamento e máquinas modernas.

Trata-se de uma solução muito vantajosa, que vem sendo cada vez mais utilizada pelas suas vantagens financeiras e práticas, pois, além de evitar a quebradeira, elimina a trabalhosa e muito mais custosa substituição das placas ou ladrilhos no local.

Para esse trabalho, são necessários:

- Mão de obra qualificada (técnico e equipe especializados, com bom nível de conhecimento);

- Equipamento adequado (polidora industrial de piso ou manual. Essa última deve ser usada para rodapés, cantos, degraus e detalhes);

- Abrasivos de qualidade.

Iniciando o trabalho de restauração

Após avaliação do tipo de granito e estado em que se encontra a pedra, a experiência do operador é que definirá a sequência de abrasivos a ser utilizada. No início, abrasivos diamantados metálicos e de granas mais grossas, em formato Frankfurt ou Inserto.

Para correção de grandes imperfeições e nivelamento dos ladrilhos, deve-se iniciar o trabalho pela grana 16 ou 24, mas, normalmente, inicia-se pela grana metálica 36.

Quanto pior o estado do piso a ser restaurado, mais grosso deverá ser o grão do abrasivo inicial ou de menor número.

A sequência de granas abrasivas diamantadas metálicas disponível é: 16 – 24 - 36 – 60 -120. Conforme avança o trabalho de restauração, pode ser utilizada eventualmente uma grana metálica mais fina (220).

Concluída essa fase inicial com os abrasivos metálicos, deverão entrar em ação os abrasivos diamantados resinoides. Fabricados nos formatos de lixas tipo Antares com engate, com velcro, Frankfurt ou lixas flexíveis com velcro. Por serem mais delicados, os abrasivos resinoides irão retirar as marcas causadas pelos abrasivos metálicos anteriores, corrigindo as imperfeições menores e reduzindo a porosidade da pedra.

As granas diamantadas resinoides disponíveis são: 50 - 100 - 200 - 400 – 600 - 800 – 1200 – 1500 – 3800 – Buff. (O Buff deve ser utilizado quando se deseja conferir um brilho espelhado ao granito).

A sequência desses abrasivos resinoides deve começar sempre por uma grana de número abaixo da última grana do abrasivo metálico utilizado. Por exemplo, se a última grana usada de metálicos foi a 120, o primeiro resinoide deverá ser o número 50. Se a última grana usada de metálicos for a 220, o primeiro resinoide deverá ser a grana 100.

Quanto tempo deve durar cada operação?

É fácil. Cada grana deve trabalhar até que as marcas da grana anterior sejam removidas. Quando isso ocorrer, o trabalho deverá seguir adiante, com a granulometria mais fina seguinte.

A utilização desse sistema, certamente, irá proporcionar, no final, um brilho de excepcional qualidade.

Se o desejo não é atingir o brilho máximo da pedra, mas apenas um polimento fino, levigado, acetinado ou de aspecto rústico, basta interromper essa sequência na grana desejada, de acordo com a aparência obtida.

Manutenção

Terminada a restauração, a equipe responsável pela limpeza periódica do local deve ser orientada a utilizar apenas sabão neutro líquido, diluído em água. A cera, bem como qualquer outro produto do gênero, não é necessária e nem indicada, pois confere um falso brilho à pedra, além de aglutinar a sujeira.

O “fechamento” da porosidade do granito e o consequente brilho se dão por ação física e não química, caso contrário, seria como utilizar uma maquiagem.

Impermeabilização

Em certos casos, quando se deseja uma proteção ainda maior contra agentes manchadores e para prolongar a durabilidade da restauração que acaba de ser feita, pode-se aplicar ao piso de granito um impermeabilizante, do tipo Impercob, próprio para granitos. Costumamos sempre indicar. A impermeabilização, para ser eficiente, requer que a superfície do granito esteja absolutamente limpa e seca, caso contrário, não surtirá um bom efeito.

Praticidade

Qual é o formato de abrasivo mais indicado? Para evitar a troca de pratos da polidora, o mais prático é combinar os insertos metálicos na 1ª etapa, com os abrasivos diamantados resinoides, tipo Antares com engate, na 2ª etapa.

Esses dois formatos de abrasivos utilizam os mesmos encaixes. Isso poupará tempo e evitará o investimento em pratos diferentes, pois o mesmo prato permanecerá na polidora e servirá para toda a sequência de abrasivos, do início ao final do trabalho.

Os demais formatos e sistemas, como Frankfurt ou os que utilizam velcro, embora eficientes, vão necessitar da troca de pratos.

Volume de água e brilho final

O trabalho de restauração de granitos é feito sempre a úmido. O volume da água deve ser maior no inicio, quando se usam as granulometrias mais grossas.

À medida que a granulometria dos abrasivos se tornar mais fina, deve-se diminuir gradativamente o volume de água. Assim, a porosidade da pedra vai diminuindo e, pouco a pouco, começa a surgir o brilho, que será mais intenso quanto maior for a numeração do abrasivo.

Para conferir o brilho final aos granitos escuros, alguns profissionais preferem usar um pó especial (pó Nero) para essa finalidade, o qual é atritado na pedra através de um disco, tipo scotch brite, por exemplo. Esse sistema, entretanto, requer a troca do prato da máquina. Alguns operadores, no final da sequência, secam praticamente toda a água e a deixam apenas gotejando, conseguindo, assim, excelentes resultados.

“Em minha opinião, o mais interessante do processo de restauração é estar de acordo com as novas normas e tendências ecológicas mundiais de reaproveitamento e reciclagem de materiais. Assim como as outras fontes da natureza esgotáveis, várias jazidas de granito também se esgotarão e esse processo permite “ressuscitar” essas rochas. O fato de ser muito mais barato, sem quebradeira e que devolve a beleza da pedra já "instalada" ao cliente, são outras grandes vantagens.”

Osvaldo Romano, diretor proprietário da empresa Roma Restaurações, especializada em trabalhos com granito, mármore, ardósia, granilite, concreto, pedra mineira, entre outros

 




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