MATÉRIAS | ARTIGO

Comércio internacional desequilibrado


A escalada protecionista tende a enfraquecer os preços das matérias-primas e a redução da demanda por commodities

Guerras comerciais podem gerar efeitos negativos para os dois lados, caso não termine em uma solução negociada. Isso se não estivéssemos vivenciando este clima entre as duas maiores potências do planeta, responsáveis pelo equilíbrio do comércio mundial. Esse conflito tende a afetar a economia de outros países em nível global, pois as cadeias de produção estão interligadas.

As consequências serão uma escalada de tarifas, aumento dos custos das exportações, além de gerar um ciclo de diminuição do comércio internacional, o que causará uma paralisação do crescimento econômico. Os efeitos para o Brasil serão péssimos, já que a escalada protecionista tende a enfraquecer os preços das matérias-primas e a redução da demanda por commodities.

Destaco que a falta de competitividade do Brasil, devido aos altos custos do frete, da reoneração da folha de pagamentos e a redução drástica do Reintegra, acrescidos dos pontos que formam o chamado Custo Brasil, não permitem que o País absorva o mercado dos chineses destinado aos EUA, onde vários produtos manufaturados daquele país asiático passarão a pagar sobretaxa de 25%. 

Vários setores produtivos poderão ser atingidos, desde que a guerra comercial que se observa no mercado internacional continue. No caso das commodities, o que se sinaliza é que o Brasil deverá ter um volume de exportação e importação este ano menor que o previsto, em função da revisão do nosso Produto Interno Bruto (PIB).

A partir dessa análise, a perspectiva é de impacto na balança comercial. Em dezembro de 2017, a previsão era de que em 2018 as exportações atingissem US$ 219 bilhões e as importações US$ 169 bilhões, gerando um superávit de US$ 50 bilhões. Mas a forte quebra na safra argentina de soja elevou as suas cotações e as quantidades exportadas pelo Brasil, assim como a recente alta de 50% nas cotações de petróleo criou expectativas de aumento de 6% das exportações. Porém, com toda a crise que estamos vivenciando hoje, a perspectiva é de crescimento ao redor de apenas 0,5%.

O Brasil, por exemplo, é o terceiro maior exportador de granito do mundo; sendo que o estado do Espírito Santo responde por 50% da produção nacional de rochas ornamentais e por mais de 70% das exportações brasileiras. É, ainda, o principal fornecedor de rochas para o mercado norte-americano. As exportações do setor e seus diversos produtos somaram US$ 1,107 bilhão, sendo 2,36 milhões toneladas em 2017.

No entanto, mesmo com números positivos, mantém-se uma política de ações, como a participação em feiras e a divulgação de seus produtos nos mercados internacionais, o que faz com que o segmento consiga destaque na pauta brasileira e possa seguir com estabilidade. Um exemplo que deve ser seguido.

Mesmo sendo a 9ª economia mundial, ainda assim o Brasil é considerado um dos países mais fechados no mundo para o comércio internacional. A sua baixa penetração no mercado mundial, aliada à incipiente internacionalização das empresas brasileiras, gera como consequência um país desconectado das cadeias globais de produção em setores de alto valor agregado. Este cenário mostra que há necessidade de uma nova governança para enfrentar a questão da competitividade, cuja agenda envolve vários atores e interesses.

A eleição do próximo presidente da República representa uma nova esperança de que as exportações brasileiras, especialmente de manufaturados, assumam o seu lugar de destaque, deixando de serem simples coadjuvantes para se tornarem protagonistas num país que é a 9ª economia mundial, detém insignificantes 1,1% das exportações mundiais e é apenas o 25º maior exportador.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP), ex-funcionário da CACEX (Banco do Brasil), ex-coordenador da FUNCEX (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior), autor de 12  livros sobre comércio exterior e diretor da PROCEX Técnica Internacional S/C Ltda




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