MATÉRIAS | ARTIGO

As normas e os quartzitos


 A não correta aplicação do termo poderá fazer com que rochas de caracterização tecnológica inferior prejudiquem fortemente o que temos hoje de melhor para oferecer ao mercado

Em 2012, o projeto ABNTROCHAS (ABNT/INMETRO/CETEM/IRD) produziu um diagnóstico sobre o setor de apoio e avaliação da conformidade das rochas ornamentais e de revestimento no Brasil.

Em decorrência desse trabalho, foi criada no âmbito da ABNT a comissão de estudos especiais - CEE-187, que tem a participação de técnicos especializados, centros de pesquisas e de representantes dos produtores, que podem analisar e revisar as normas disponíveis e, sobretudo, construir o ordenamento necessário para otimizar as demandas do setor de rochas ornamentais.

Na primeira parte desse artigo, transcreveremos da ABNT alguns conceitos básicos adotados pelos órgãos de normalização em todo o mundo.

1. Conceitos e objetivos da normalização

 A normalização é a atividade que estabelece prescrições comuns, que possibilitam aferir a qualidade dos produtos e serviços, contribuindo para melhorar a qualidade de vida, a saúde, a segurança e a preservação do meio ambiente, favorecendo ainda ao crescente intercâmbio e as relações comerciais.

A eliminação de barreiras técnicas e comerciais pode ser obtida ou não, com a compatibilização de normas e especificações sobre produtos e serviços em diferentes países, permitindo a melhoria dos fluxos de comércio.

2.  Princípios da normalização

As normas técnicas são elaboradas seguindo alguns atributos básicos consagrados em todos os fóruns de normalização, que salientam a necessidade dessas terem o reconhecimento da sociedade.

 A utilização de normas deve ser entendida como uma necessidade de buscar um grau ótimo de vantagens para a sua aplicação, com grandes reflexos na produtividade e na comercialização.

O resultado do processo de elaboração de normas e que compreende as etapas de análise, apreciação e aprovação por parte da sociedade, deve buscar ao máximo a obtenção de um consenso, o que não caracteriza unanimidade, mas que expresse a evolução que reflita as necessidades naquele dado momento.

3.  Vantagens da normalização

As principais razões para a utilização de normas em seus negócios estão consubstanciadas em alguns aspectos, entre os quais, são universalmente destacados:

Qualificação de produtos ou serviços e atração dos clientes

As normas contribuem para agregar qualidade e potencializar as vendas e o aumento da satisfação dos clientes, os quais evitam adquirir produtos ou serviços de qualidade questionável.

Aumento de competitividade

A utilização de normas gera ganhos de produtividade e o consequente aumento das margens de competitividade.

Confiabilidade do negócio

A percepção dos consumidores de que o fornecedor adota procedimentos de conformidade com determinadas normas nos seus produtos e serviços, agrega confiança ao negócio, gerando ganhos importantes na relação comercial.

Compatibilidade

Com a aplicação de normas e a adequação aos regulamentos, fica assegurada a conformidade dos seus produtos ou serviços, permitindo  transitar livremente em qualquer  mercado.

Facilitar a estratégia de marketing

 A adoção de normas como parte da estratégia de marketing e desenvolvimento comercial, aumenta as suas chances de êxito, pois ajuda a criar valor e satisfação no cliente. As ações de marketing em mercados que utilizam normas reconhecidas possuem melhores condições para determinar quais produtos ou serviços possam interessar aos consumidores, assim como a maneira que será utilizada nas vendas, comunicações e no desenvolvimento dos negócios.

Atender a regulamentos técnicos 

 Os regulamentos são adotados por autoridades, e tem como tendência que sejam restritos aos requisitos associados ao desempenho do produto, adotando como referência as normas técnicas, sobretudo, internacionais. A adoção de normas confere ao fornecedor segurança no tocante as suas responsabilidades civis.

Com base nessas considerações iniciais, é importante que o setor das rochas ornamentais do País, que já possui assento na CEE-187, entenda a importância e participe ativamente dessa comissão.

 A valorização dos produtos naturais passa pela adoção de requisitos de normas existentes, que no caso dos granitos, estão consubstanciados na NBR 15844:2015, além dessa, deve ainda ser considerada a norma ABNT - NBR 12042:2012 - Materiais Inorgânicos - Determinação de desgaste por abrasão.

Com a utilização de rochas, que atendam a esses requisitos, além dos procedimentos de assentamento e rejuntamento adequados, certamente a qualidade dos nossos produtos aplicados será bastante superior.

O outro aspecto e que merece uma atenção toda especial do setor neste momento, é a necessidade de não adotarmos uma terminologia comercial para os QUARTZITOS, pois esse aspecto não está previsto na norma brasileira.  Os quartzitos são rochas metamórficas de granulação variando de fina a média, composta essencialmente de quartzo, sendo resultante do metamorfismo sobre arenitos, nos termos da NBR 15.012:2013.

Deve ainda ser ressaltado que o nosso maior cliente, no caso os EUA, possui normas de especificações para esta rocha. A norma americana ASTM C 616, que normaliza as rochas portadoras da cadeia de formação dos quartzitos, apresenta as seguintes especificações:

 Ou seja, um QUARTZITO deve ter pelo menos 95% de sílica livre em sua composição, isto é, especificação da norma americana. Diante do exposto, urge que busquemos a denominação adequada do tipo rochoso, o qual deve ser adotado com base em uma análise petrográfica, que se ocupa da descrição macro e microscópica das rochas, considerando os seus conteúdos mineralógicos e as relações entre os grãos desses minerais.

 A não correta aplicação do termo poderá fazer com que rochas de caracterização tecnológica inferior prejudiquem fortemente o que temos hoje de melhor para oferecer ao mercado. Esse aspecto da normalização será muito importante para preservarmos esse produto, onde temos elevado potencial e certamente terá uma expressiva contribuição para o setor das rochas no Brasil.

Enfim, vamos utilizar as normas a nosso favor, e não contra.

As normas são como os sonhos, acreditem neles.

Carlos Rubens A. Alencar é coordenador da ABNT- CEE-187                    




FALE COM A REVISTA ROCHAS


SÃO PAULO

EMC Editores Associados Ltda

Avenida Prestes Maia, 241 - conj. 3520
Santa Ifigênia - 01031-902 São Paulo - SP
Telefone: +55 11 3228 9290
Fax: +55 11 3229 7370

VITÓRIA

EMC Editores Associados Ltda

Rua Aleixo Netto, 454 - conj. 308
Praia do Canto - 29057-200 - Vitória - ES
Telefone: +55 27 3227 2772



Todos os direitos reservados a Revista Rochas | 2017

Conceitos e declarações emitidos por entrevistados e colaboradores não refletem, necessariamente, a opinião desta revista e de seus editores. “Rochas de Qualidade” não se responsabiliza pelos conteúdos de anúncios e informes publicitários. Nenhuma parte desta publicação pode ser em qualquer forma sem a expressa autorização da EMC-Editores Associados Ltda. Todos os direitos são reservados. Registrada no INPI e matriculada de acordo com a Lei de Imprensa. Não publica matérias redacionais pagas.