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Empresários criticam recuo na privatização da Codesa


Consideram que a infraestrutura portuária do ES vai continuar defasada, ineficiente e pouco competitiva

Depois de anunciar a intenção de privatizar a Codesa, há apenas três meses, o governo federal voltou atrás e não vai mais colocar a autoridade portuária do Espírito Santo à venda. A retirada da companhia do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) frustrou o setor produtivo capixaba.

Sem o programa de desestatização, empresários e especialistas consideram que a infraestrutura portuária do Estado vai continuar defasada, ineficiente, lenta, burocrática e pouco competitiva.

Para o presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), Marcilio Machado, um exemplo de como o setor fica engessado sob a administração federal é o processo de dragagem da Baía de Vitória que, considerando idas e vindas de obras, demorou quase duas décadas para ser concluído.

“Acredito que precisamos de outras soluções, que não dependam do governo federal, para que possamos ter um porto mais competitivo. Eu sei que o que está em jogo, quando se discute privatização portuária, é a manutenção dos empregos da orla portuária e outros envolvidos na questão. Entretanto, a melhor maneira de mantê-los é através do aumento da produtividade e eficácia do setor. Não sou otimista em acreditar que, dentro do modelo de gestão atual, ligado à Brasília, isso seja possível.”

Olivia Tirello, superintendente do Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (Centrorochas), tem uma preocupação semelhante. Ela pondera que a falta de celeridade nos investimentos e nos processos portuários faz com que o tempo e o custo para a movimentação de cargas sejam maiores.

“Isso nos prejudica muito do ponto de vista econômico. A demora na dragagem fez com que a capacidade de carga ficasse reduzida por anos. Além disso, temos que fazer o transbordo das nossas mercadorias. Esperávamos pela privatização por entendermos que a estrutura de governo é muito lenta”, critica.

O presidente do Espírito Santo em Ação e professor da Fucape, Aridelmo Teixeira, considera que manter o modelo atual é fazer com que o Estado fique em desvantagem competitiva em relação a outros portos. “Estamos colocando o desenvolvimento do comércio exterior em risco.”

Para além da falta de protagonismo do Estado nessa área, Teixeira alerta para a instabilidade que o governo cria ao fazer anúncios e depois recuar.

“Quanto maior incerteza você gera no ambiente de negócios, mais difícil fica de atrair investimentos. O dinheiro e o emprego vão para lugares e projetos que oferecem estabilidade”, frisa, ao citar que outro empreendimento que sofre com essa indefinição é o Aeroporto de Vitória, que, recorrentemente, é anunciado e retirado da lista das privatizações.

Apesar da insatisfação da iniciativa privada, há quem veja na mudança de planos do governo uma possibilidade da infraestrutura portuária capixaba avançar. Isso porque a justificativa do governo federal é que, neste momento, privatizar a Codesa seria inviável, diante de vários passivos, como problemas com contratos, déficit no regime previdenciário e questões tarifárias.

“O que estamos propondo é fazer a concessão de Barra do Riacho. Essa é uma área que não encontraria dificuldades em pontos como mão de obra e contratos judicializados”, diz o diretor-presidente da Codesa, Luis Claudio Montenegro.

A alternativa de focar na concessão da chamada área abrigada da Codesa em Barra do Riacho, em Aracruz, foi comemorada pelo deputado federal Lelo Coimbra. “É uma ótima notícia! Essa decisão era desejada por diversos segmentos do nosso Estado. Barra do Riacho já é uma área pronta, com calado bom e condições para abrigar um porto de águas profundas e um complexo logístico.”

A senadora Rose de Freitas foi procurada, mas não foi localizada para comentar o recuo da privatização, mas em ocasiões anteriores ela já tinha dito ser contrária à venda da Codesa.

O presidente do Conselho de Infraestrutura da Findes, Wilmar Barroso Filho, afirma que apesar da Federação das Indústrias defender que a iniciativa privada faça a gestão de gargalos logísticos, o declínio da venda não trará grandes prejuízos ao Estado. “Vender a Codesa poderia levar muito tempo. Agora, fazer a modelagem de Barra do Riacho pode ser um processo com mais agilidade e que garantirá investimentos.”

Fonte: Gazeta Online

 




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